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O Pinheiro é o anunciador dos Festejos Nicolinos. Conduzem-no os Estudantes em cortejo festivo, e erguem-no ao céu para "anunciar" à cidade expectante que, com o fim de Novembro, uma vez mais algo de extraordinário está para acontecer em Guimarães - A Festa dos seus Estudantes.
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Não é conhecida a data precisa em que o cortejo do Pinheiro saiu à rua pela primeira vez. As suas raízes, porém, ligam directamente a tradições populares muito antigas e com elas se perdem no tempo.
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Por toda a tarde de 29 de Novembro os Estudantes percorriam em bandas as ruas de Guimarães, massacrando as peles dos bombos e das caixas, os músculos dos braços, a carne das mãos ... e os ouvidos dos citadinos.
Desde o princípio deste século era costume os Estudantes do Liceu dirigirem-se à Escola Industrial, obrigando os professores, com a insistência dos toques, a "libertar" os alunos das aulas, de modo que também eles pudessem aproveitar alguma coisa da celebração e da farra desse dia.
Mas durante muito tempo - e erradamente, abusivamente - aos Estudantes da Escola Industrial foi vedada a participação no cortejo do Pinheiro, assim como nos demais números Nicolinos. Tratou-se, sem dúvida, de uma má leitura dos "direitos" de ser Nicolino, uma leitura realizada por espíritos sem dimensão histórica, de memória lamentavelmente curta.
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A abrir o cortejo do Pinheiro, iam grupos ruidosos de Estudantes, os "zabumbas", que atacavam furiosamente os bombos e as caixas. Vestiam camisolas de lã grosseira e cobriam a cabeça com os tradicionais gorros. Por vezes, vestiam-se de modo sugestivo e até (se as interdições não tinham lugar) colocavam uma máscara na cara. À cabeça do grupo, seguia o "chefe dos bombos", comandando com a "maçaroca" a Banda Nicolina.
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Numa tradição mais recuada, abria o cortejo um grupo de Estudantes a cavalo envoltos em lençóis brancos. Outros Estudantes os seguiam, a pé e a cavalo mascarados das formas mais grotescas, como se se tratasse de uma revivificação do Carnaval. E usavam ainda camisas de dormir, saias, chapéus de coco e penicos na cabeça, e até sobrecasaca e fraque.
Seguia-se, no cortejo, um número variável de juntas de bois.
Anos havia em que as juntas que acolitavam o Pinheiro eram infindáveis. Chegavam a ser dezenas e dezenas, passando por vezes a centena.
Por isso o desfile demorava três, quatro e mais horas. Não porque o percurso fosse mais dilatado do que hoje; mas pela sua extensão em carros, indiscutivelmente superior, e porque durante a sua passagem se iam desenvolvendo manifestações festivas.
Os Estudantes, acompanhados pelo povo, seguiam ruas fora, numa convivência barulhenta e folgazã, celebrando em conjunto, ao som ritmado dos bombos e das caixas, o início das Festas Nicolinas.
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À frente das juntas de bois, seguiam filhos de lavradores, rapazes e raparigas, exibindo trajes regionais. Os próprios bois eram enfeitados com elementos de tons alegres.
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Chegava depois a vez dos carros alegóricos, com motivos alusivos a situações do ensino ou a qualquer acontecimento epocal mais marcante. Não tinham número definido, ficando ao critério e imaginação dos Estudantes tanto a sua figuração como o seu aparecimento.
Um carro de certa maneira obrigatório era o que invariavelmente os Estudantes dedicavam a Minerva, a deusa da mitologia grega para a sabedoria e o trabalho intelectual. (...) A intenção dos Estudantes era simbolicamente a de que a deusa lhes assegurasse êxito nos estudos, e lhes concedesse, anualmente, o inestimável milagre ( já nesse tempo se tratava de um milagrão) de esse êxito ser conseguido com o mínimo possível de empenhamento e o dispêndio apenas do estritamente necessário do seu tempo com o folhear de papéis e a leitura de letra de forma ...
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Outro carro que também aparecia muitas vezes (o que não deixa também de ser significativo - e ao mesmo tempo natural) era dedicado a Cupido, o deus do Amor, representado nuzinho, rechonchudinho, levando maçãs na ponta das setas e com elas ateando o fogo das paixões no campo para elas sempre fértil que é o coração da juventude ...
Só então aparecia o elemento nuclear da festa - o Pinheiro. Originariamente, ele era enfeitado, pintado mesmo, com as cores escolásticas - o verde e o branco. A bandeira escolástica, onde se representava igualmente a figura de Minerva, era verde e a fita com a medalha de São Nicolau, que os Estudantes colocavam ao pescoço nas cerimónias religiosas, era branca.
Os adornos do Pinheiro consistiam essencialmente em bandeiras, lâmpadas alimentadas a óleo, balões, festões, arbustos e verdura. A intenção era fazer com que ele não desmerecesse a sua qualidade de centro da festa. A ladeá-lo, seguiam os Estudantes, muitos deles mascarados, ajaezados com adereços carnavalescos, iluminando o caminho com lâmpadas, velas a archotes. Tudo isto sem dúvida que dava ao cortejo (facilmente se adivinha que talvez até mais que hoje) o tom feérico de uma maravilha oriental.
O Pinheiro apoiava, por regra, o topo numa junta de bois e a base noutra, ficando o seu corpo intermédio suspenso entre elas. No seu dorso, por vezes encavalitava-se por brincadeira, mas também com uma intencionalidade precisa, um ou outro Estudante, ainda que esse gesto causasse naturalmente dificuldades acrescidas de transporte, pelo que nem sempre era autorizado pela Comissão ou consentido pelos lavradores.
Essa "intencionalidade precisa" estava em que a chiadeira dos rodados dos carros de bois passou a ser tradicionalmente característica do desfile do Pinheiro. Desse modo, devido ao aumento do peso, ela tornava-se ainda mais intensa que em situações normais.
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O Pinheiro era oferecido por uma família rica de Guimarães, sendo escolhido pelo seu porte, o seu aprumo e imponência. Era por aí que se avaliava a abastança da casa que o cedia.
Actualmente, o Pinheiro vem sendo oferecido, de há alguns anos para trás, pela família Aldão (que em 1991 foi homenageada pelos Nicolinos).
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A fechar o cortejo do Pinheiro, seguia tradicionalmente uma banda de música, executando vários números musicais, mas com um destaque muito especial para o Hino Escolástico.
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A chegada do Pinheiro ao seu local de destino era assinalada pelo estrelejar de muito fogo de artifício.
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Depois da cerimónia, a noite sempre foi de tudo menos de dormir. Ainda hoje, numa tradição que se mantém, os Estudantes, dando largas à sua natural jovialidade, dispersam-se pela cidade em grupos e toda a noite tocam os tambores.
Em certos pontos da cidade, com destaque, actualmente, para o espaço fronteiriço ao do ex-Liceu, nas Avenidas Novas, os Estudantes reúnem-se, após ajudarem a erguer o Pinheiro, e ali zabumbam até amanhecer. Dali igualmente partem, em grupos organizados, a percorrer a cidade, sobressaltando o sono a toda a gente.
Mas essa noite é dos Estudantes. É uma directa total, sendo ponto de honra para qualquer Nicolino aguentar a noite inteira e ainda um bom pedaço da manhã a massacrar as peles dos bombos, das caixas ... e também a sua.
Aliás, qualquer Estudante faz questão, nos dias imediatos, de exibir as mãos carregadas de medalhas. A essas mãos, de delicadas, e habituadas apenas a passar o bico do lápis pela superfície do papel, o exigente esforço da zabumbagem transformou-as num negro de cicatrizes e num vermelhão de mercurocromo ...
Mas todos têm orgulho nisso.
Acendia-se a fogueira e assavam-se as castanhas. Comia-se e bebia-se, chasqueava-se, convivia-se - desde os tempos mais remotos, os Estudantes e os populares lado a lado, acamaradados. Apesar do desagrado de que sempre se revestia para os Estudantes a intromissão na sua festa de elementos estranhos às actividades académicas (todos os "estranhos" eram designados por "futricas", na gíria estudantil, e como tal repudiados), era este o momento das Nicolinas em que, em princípio, não se levantava qualquer obstáculo a essa participação.
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Aliás, na base da realização do Magusto encontra-se o desejo de camaradagem e convívio, desde sempre característico da juventude académica. E isso acontecia, ainda com maior força de razão, em tempos recuados, quando as possibilidades de liberdade e espairecimento não eram comparáveis sequer às do tempo actual.
A essa necessidade natural de convívio e diversão juntava-se o facto de se tratar de uma festa que tomava como pretexto a celebração do São Nicolau, numa altura do ano em que abundava a castanha e o vinho, óptimos pretextos para se conviver.
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Depois do Magusto, alguns Estudantes, em grupos, ainda se viravam para a "moinice", e procuravam casas senhoriais, ou até tabernas, para que lhes fosse facultada a Posse da Ceia, e assim não perdessem pitada do que valia a pena ... (Notícias de Guimarães, de 11.12.60).
Primitivamente, o Magusto realizava-se no Toural. Era aí o centro das actividades lúdicas e de lazer da cidade. (...) Com a trasladação do levantamento do Pinheiro para São Francisco, e posteriormente daí para o Campo da Feira, o número do Magusto foi acompanhando, e mudando igualmente de local.
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O melhor local para o Magusto é sem dúvida a recém-restaurada Praça de S. Tiago onde aliás já teve lugar em 1990. A Praça encontra-se acolhedora, liberta de trânsito, funcionando como uma bela sala de visitas de Guimarães, onde a solenidade dos tempos gloriosos de outrora se poderá novamente reviver.
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